DIÁRIO DE AMOR DE UM MOÇO DELICADO
domingo, 15 de maio de 2011
quinta-feira, 12 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
NOSPHERATV
Saído do passado
de negro, sobretudo
O sol..., seus raios queimando
como uma lente sobre o papel
O cheiro,
o ar...
rarefeito -
raro efeito,
fazendo seu efeito.
Baú aberto,
espectro saindo
tomando forma
fazendo-se letra
nascendo
crescendo,
vivendo,
vampiro!
SOMENTE
Pelo encanto
Por enquanto
Pelos cantos...
DIGESTO
Jesus!
Que cruz,
que luz,
alcaçuz,
me pus,
sou avestruz,
como tudo,
como todos...
Arqueiro,
tua seta
acerta
correta
nas terças
nas quintas
(suas quinas)
sextas
(nas esquinas)...
E sinta,
lenta e profunda
como a funda de Davi!
BLEU BLUE
Do mais intenso azul
(todos os seus tons)
Em seda, veludo, linho
Mesmo em cetim
É assim, sinto em mim
Gosto...
Enfim!
PÁSSARO PERDIDO
Ave do paraíso
para isso
para aquilo
pára-quedas
para tudo
(c’est fini)
Sou arisco
corro o risco
e o risco
quando me arrisco
De que vale um nome,
um nome de homem?
Como é compor
como é criar?
Encaixar as idéias,
tornar tudo inteligível,
fazer tudo visível,
construir com rima,
onde tudo se afina
como vozes exatas!!
Divã da Diva
Dádiva da Vida
Dividida...
SANSARA
Nestas eras,
nestes tempos,
nesta fauna,
nestes templos,
nesta flora,
vivo minha hera,
minha hidra...
que,
herculeamente,
não me assusta
É dócil,
não se cansa,
sempre me alcança,
enrosca-se em minha lança
compõe o seu desenho com este Caduceu!
Cá do seu
cá do meu
cá do teu
lado...
vamos vivendo
vertendo
jorrando
reverberando
nossa dor
nossa cor
nosso amor...
domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O ERRO DE DEUS: CONFISSÃO DE UM VINGADOR
E no princípio Deus criou o céu
E no princípio Deus criou a Terra
A Terra, porém, tava um caos
E as trevas dominavam tudo
Daí o dedo de Deus fez a luz
Daí o dedo de Deus fez o homem
Daí o dedo Deus fez aquela que seduz
E o mundo cresceu?
- O mundo cresceu. Tudo mudou. Alguém perguntou:
- Será que Deus mudou? Ou será que mudamos de Deus? [...]
(O Dedo de Deus: Arrigo Barnabé, Mário Manga)
Nesta vida, eu pouco ascendi e logo a paguei... E aí eu me pergunto: - O que/m sou eu, como ser num mundo como este, já que Virgo? (e se eu não puder sê-lo, quem sê-lo-á...?)
[Ó incriado e ser supremo, eu me sinto como que no meio de meu pesadelo encarnado. Nele, parece que perdi todo encanto, toda vez, toda voz (I talked so brave and so sweet...) É... você, ó incriado, joga pesado, e até demais, com os teus que são criados, elevados e feitos por ti. (Mas qual o quê, se é desta forma, é confesso até mesmo o erro de Deus.]
Como é que se vive assim: - Que tudo mude para bem, da mesma forma quando muda para mal.
Bem... Isso só é possível estudando pela letra. É grafologia? Juro; não sei! Mas agora, se você quiser mudar o contexto (e o mesmo texto), é assim:
Meu paraíso de imaginação é concreto em algum ponto; minha busca se faz por ele (lembranças), e olhando para o passado de minha vida (o sonho em matéria), me parece que estou ainda neste escuro de mim, sem meio oracular, sem a esfinge que me decifra e devora, pois suas letras eu as escrevo (dando a chave de seu segredo), e o passado me leva menos quando eu olho para ele (em letra) e o desarmo. Isso sem querer, mas sem querer mesmo, é natural...
Bem, estávamos falando de desarmar em letra o passado. É assim: eu olho para que a letra endireite, e assim eu fico mais consciente e finco os pés presentes na terra, e a música embala meu ser, e acho que é impossível estar sem as esferas da música; e eu sinto, sei que ela é a única via que transcende o tempo: seja ela boa, bela, é para todo o sempre!
Mas do que é capaz minha fé? É sério... Eu gostaria de saber o que esta crença me assevera, pois o fenômeno da coisa julgada facit de albo nigrum et de quadrato rotundum. E assim, sinto que fica nebuloso, difícil de saber qual é o poder dessa fé (pelo menos por enquanto).
E toca-se na fé porque era homem tão dileto, que achava que o mal só era outra face de Deus, tanto quanto o bem, já que, cá para nós, neste mundo, o dito mal é a parte feia, feia mesmo, horrível: a ira e o desejo são as duas partes de um mesmo mistério – é a mesma moeda).
Mas o fato, o fato mesmo é que a gente concebe Deus numa pulsação e moldes muito humanos. É deste jeito: Deus (que fez criaturas humanas à sua imagem e semelhança) nada mais do que é um homem perfeito e com poderes; homem em sua última oitava, superevoluído, mas só que é homem, ainda é homem, apesar de perfeito, pois tem ciúme, vinga, repreende, castiga, desaparece and so on... (Por ele, nosso sentimento é tanto amoroso quanto odioso!). Assim, nossa relação com Deus é como a de crianças com seus pais: briga, chora, berra, ora e ama! De tão inefável, Deus, em tal e tais significados faz com que a gente (sentindo e pensando) não saiba o que ele é. Isso é lei, imposta e dita por ele.
Então, onde está Deus, já que indomável, porque inominável, inodoro, invisível, informe, inaudível, indizível.
Tal vez no areópago, já que é Deus areopagita; ou, certamente, dentro de cada um, pois é a alteridade, o outro, que sendo nós mesmos se transforma, ele, em Deus. É o nosso superego; o eu de cada um se defrontando consigo mesmo! (“Partilhar suas próprias idéias pode conduzir à iluminação, já que através da troca, poderão lhe chegar as respostas necessárias”.)
Sendo assim, tudo faz crer que o homem é mais forte do que Deus e o Diabo (juntos), porque ele é o laboratório onde se processa todas as experiências (positivas e/ou negativas); ele é o campo de pouso, de testes de todas as idéias da vida, do mundo. Ele é o receptáculo da vida:
o corpo é terra
a mente é ar
a alma é água
o espírito é fogo.
E de mim, digo que o platonismo, o delírio imaginário já não me satisfaz mais; o que preciso agora é “algoém” encarnado, manifesto, criado ser! [Ó Deus, dai-me ser grande, como vós sois grande; dai-me ser perfeito como vós sois perfeito; dai-me ser Deus como vós sois Deus! – ( E isso tem vez por causa da quadratura Sol/Júpiter: ça veut dire: quem já foi rei, não perde a majestade!)].
Inquiro-te outra vez mais ó Deus: - Que diabo de pacto eu fiz em minha vida? À que vim?
Aqui vim para soçobrar, só sobrar, como que à beira de um abismo, onde saltar dentro é a única solução?!
Não... Pois minha vida é o único e máximo que tenho de mim!
Bem... Isso é outra coisa que ainda não descobri (de onde veio meu ser, para onde ele vai); só sei que quando tiro o relógio, me liberto do tempo, destemperado fico mesmo, e o caminho para se descobrir o inominável, invisível é inspirar-se na doutrina de Inácio: “Trabalha com se tudo dependesse de ti. Confia como se tudo dependesse de Deus”. Assim, deixo o amanhã para amanhã, pois eu mesmo sou minha máquina automática.
Trata-se de pessoa que gosta de ver as coisas se consumindo, ou seja, dando o seu todo, sua contribuição, sua energia, se consumindo naquilo que lhe é mais devido, mais próprio, mais caro. (Volto para o meio de mim para que eu possa fazer tudo o que posso fazer!)
E isso é letra escrita currente calamo, e já faz tanto tempo e está tão perto, que moi, je continue encore à couler beaucoup d’encre sur ce papier.
E de mim, digo que o platonismo, o delírio imaginário já não me satisfaz mais; o que preciso agora é “algoém” encarnado, manifesto, criado ser! [Ó Deus, dai-me ser grande, como vós sois grande; dai-me ser perfeito como vós sois perfeito; dai-me ser Deus como vós sois Deus! – ( E isso tem vez por causa da quadratura Sol/Júpiter: ça veut dire: quem já foi rei, não perde a majestade!)].
Inquiro-te outra vez mais ó Deus: - Que diabo de pacto eu fiz em minha vida? À que vim?
Aqui vim para soçobrar, só sobrar, como que à beira de um abismo, onde saltar dentro é a única solução?!
Não... Pois minha vida é o único e máximo que tenho de mim!
Bem... Isso é outra coisa que ainda não descobri (de onde veio meu ser, para onde ele vai); só sei que quando tiro o relógio, me liberto do tempo, destemperado fico mesmo, e o caminho para se descobrir o inominável, invisível é inspirar-se na doutrina de Inácio: “Trabalha com se tudo dependesse de ti. Confia como se tudo dependesse de Deus”. Assim, deixo o amanhã para amanhã, pois eu mesmo sou minha máquina automática.
Trata-se de pessoa que gosta de ver as coisas se consumindo, ou seja, dando o seu todo, sua contribuição, sua energia, se consumindo naquilo que lhe é mais devido, mais próprio, mais caro. (Volto para o meio de mim para que eu possa fazer tudo o que posso fazer!)
E isso é letra escrita currente calamo, e já faz tanto tempo e está tão perto, que moi, je continue encore à couler beaucoup d’encre sur ce papier.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
“KAMIQUASE”
O experimentador
experimenta a dor
o exterminador
extermina a dor
(sou "kamiquase")
MEMÓRIA DE VAMPIRO
O contato..., meu corpo!
Sem contato,
unplugged
Inerte,
ocioso,
catatônico talvez
Mas ele sente,
profundamente ele sente
Ele sente?
Sente, tem memória
gravada em sua pele
em suas fibras
em seu líquido vermelho...
meu espelho!
NARCISO
É seu,
é céu,
é meu,
é mel,
é sol,
é sal,
é mar...
de rosas,
de prosas,
de vinhos,
de líricos veios,
de lírios
(narciso)
delírio,
divino!
RETRATO
Pela cozinha da casa
ainda cozinha a manhã
a manha, a sanha
assanham as lágrimas
me banham
e assim...
“me verto tinto”,
tonto,
pranto,
tanto,
pronto!
AO MÊS
Agosto pra tudo
E em Setembro muito mais!
ORIGINAL
Eu quero ser tão original quanto a minha impressão digital; ninguém tem uma igual...
MEU AFETO
Eu sou uma pessoa que quando me apaixono, e depois amando,
uma flor é uma floresta!
SURPRESA
Em minha vida, você me caiu como que por enquanto!
LIVRO-FILHO
Escrever um livro
é gerar um filho.
Escrever um filho
é gerar um livro.
Gerar um livro
é escrever um filho.
Gerar um filho
é escrever um livro.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
AVE DE ARRIBAÇÃO
Era como aquele século...
Tempos sombrios, a morte espreitava, a dureza sentia, a guerra estava feita! Só restava esperar para ser ceifado. Erva seca se recolhe e queima. Tudo estava errado. As leis tinham se invertido. Uma pane na mecânica celeste. A alegria se esvaíra; desvitalizado, drenado, seco se fazia. Nada tinha o retorno esperado; era como semear num terreno árido. As sementes nem chegavam a germinar, apesar de toda a dedicação e cuidados que se davam. Estava condenado, o terreno era maldito, jurado à perdição, estéril como o útero de uma pobre mulher que há muito envelhecera, esquecida nos tempos de meu Deus. Vivia e sabia ser amargo com a desdita daquela era.
Todavia lutava, aguardando o dia da grande luz, quando essa situação mudaria – assim estava escrito no livro dos vivos. Confiante esperava, com a paciência de um tecelão do tempo, pronto para entregar para o seu povo o tapete da vida – Sansara seria, e assim sairia; estava sendo feito com todo o seu amor, sereno, abnegado, eterno, digno de um Essênio.
Não levara muito tempo para aprender a ler o livro da vida. Cedo ela viera bater à sua porta e não hesitou em acolhê-la; não tinha como fazer o contrário, pois sabia que era sensato não tentar bani-la, visto que, se assim o fizesse, ela nunca deixaria de insistir, e cada vez com mais veemência. Fora sábio ao agir dessa forma – assim aprendera com os seus mestres.
Naquele dia, ele fora presenteado com horas douradas. Ora, ora! Que belo presente. E orava... A cor violeta lançara-a em seu presente, e tudo ficou tão belo, que lhe ofuscava os olhos, as mãos, todo o seu corpo; e seu coração, agradecido, expandia, devolvendo-se num sorriso, que se perdia numa expressão de muita paz. A música da mãe Terra o embalava, e ele bailava seu corpo nu, na maravilhosa melodia daquela que dera a luz, o chão, o alimento a todos os seres, irmãos seus, pois bem sabia que “todos eram frutos da mesma tamareira!” E honrado, passou por todos os lugares do mundo, incensando tudo com sua grata felicidade. Nesse momento, teve consciência de seu grande amor por aquela que era sua casa, paradisíaco presente do criador. Tal enlevo aprendera com Govinda, quando o seguira em sua peregrinação.
Porém, havia dias em que se aborrecia, em que aborrecia semelhante a um bebê, cujos jovens pais ainda não sabem como satisfazer as suas necessidades; e assim, entristecia-se por ser tão cruel, tão imperativo – soberano se fazia, como se lhe fosse algo hierarquicamente passado; contudo, sabia que assim não o era, e perguntava às flores de onde vinha toda essa onda que o avassalava. Elas simplesmente ficavam em profundo contato com ele, dando-lhe sua essência, seu aroma, sua beleza, com a perspectiva de totalmente transformá-lo se ele não mais resistisse e se entregasse à sua magia – era a maneira pela qual elas respondiam-lhe sobre tal enigma. Pouco a pouco, rígido como era, ele ia lhes permitindo agir, tomar conta de seu ser, pois também sabia o quão sábio era, novamente, unir-se a mais uma obra de seu pai/mãe, para fazer com que o seu todo se desfragmentasse; afinal de contas, tudo o que existe nesses céus e terra é um único elemento, como já lhe havia dito o Santo Dervixe.
Nesses mesmos momentos, sentia-se acorrentado a ele mesmo, a sua estrada e a tudo o que adquirira nela em sua caminhada, ou melhor, àquilo que ia se aderindo à sua pele. Eram tantos preceitos, valores, condutas, que ele não sabia como responder. Ousava ser coerente a ele mesmo, e sempre que assim o fazia, assim como dar um tiro no escuro, acertava, mesmo que com isso tivesse um preço a pagar – era assim, como percebera na trilha dos homens, que a vida pedia; muitas vezes, sentia que não ia conseguir, e dessa forma, crescia; doía, mas crescia, e se perguntava se a marcha devia ser assim mesmo, se não havia uma outra forma, suave, de fazer com que as “acontecências”, a roda da vida, seguissem o seu rumo e o conduzissem àquela paz e amor tão desejados, pois queria, ardentemente, experimentar o “delicado da vida” - não aceitava que a mesma tivesse que ser tão cruel, uma vez que fora concebida pelo perfeito. Se assim o fosse, a história não lhe fora corretamente contada, e ficaria furioso com essa armada, não se sabe de quem, de quê; não, não haveria de ser assim. O leite e mel que manam desse campo sagrado lhe eram de direito, como de todos os seus irmãos. Sentia que tinha isso como desafio: encontrar o elo que se perdera na revolução do cosmos e assim religar a corrente da vida. Seria o libertador, aquele que quebraria os grilhões, que iluminaria a tenebrosa senda dos vivos – messiânico se sentia e temia que isso fosse mais uma das inúmeras viagens a que todos se passam. Restava conferir, viver, sentir, e ver que luz daria do que se chegava ao seu coração e mente.
Uma janela de ouro se lhe abria, assim considerava esse propósito em sua vida; era seu esteio, seu veio, seu mais fértil campo, e isso o enobrecia, sentia-se satisfeito com essa rota, pois lhe era muito próprio, muito particular, havia eco em seu ser, e como um aprendiz desse sábio caminho, entregava-se, queria ver que paisagem era aquela que havia por de trás dessa janela. Talvez os seus talentos – teria que sê-lo, mesmo porque isso o encantava desde a mais tenra idade. Gostava de ser útil, provedor, amigo, um restaurador de vidas que se acabavam, que se perdiam na marcha do infinito.
Mesmo quando o cansaço, a dúvida, o desencanto o tomavam, dentro de si, a luz nunca se apagava; ela aquecia, mostrava outras portas, que o conduziriam àquela meta. Como de hábito, ainda se indagava por que não deveria ser ele por ele mesmo, por que teria que levar também a carga alheia; só a sua lhe bastava, ou realmente não estava entendendo nada, e a pretensão, a presunção o assoberbavam. Encontrava-se, nesse instante, perdido em suas elucubrações, tidas por ele como presságio, visão, mensagem ou algo da ordem. E então, o que ele faria, se se sentia tão encalhado como a um navio que se posta em um banco de areia, imobilizado, sem socorro? Realmente, deveria fazer por si mesmo, utilizar as armas que tinha à mão e decifrar esse seu enigma, libertar-se de seus obstáculos e avançar, sempre em frente, sempre em rumo.
Não se importava, grandemente, com o dinheiro; o suficiente para existir – para ele os valores eram mais altos do que aquilo que, simplesmente, está sobre a terra, pois sabia que tudo passa, que tudo passaria, e nada nos acompanharia, a não ser a nossa própria vida, o nosso encanto, as nossas descobertas, o nosso tamanho. Talvez, o que ele chamava de falta de ambição, de perspectiva, impediam-no de galgar mais, de ter mais, de poder mais no campo da matéria. Frustrava-se com isso, sentia-se despossuído, inadequado, incapaz por não poder como muitos. Às vezes, pensava estar vivendo de migalhas, como um cachorro que pega as sobras da mesa que caem no chão, e não como um príncipe, digno de toda a abundância do reino de seu pai/mãe. Onde é que estava falhando? O que não estava fazendo, ou o que estava fazendo que não progredia, não caminhava? Por acaso não prestara atenção e não apreendera os sinais da vida? Para onde olhava quando, já sabendo ler, o livro lhe era mostrado aberto, para que começasse a decifrá-lo? Realmente não sabia e ficava com a dúvida dentro de si. A sua estrada seria esta mesma: caminhar sempre indagando, procurando, caminhando por aquela estrada que não conhecia, jamais vira, mas que era sua; à procura de quê, de quem? Não, a vida não deveria ser tão enigmática, tão ingrata como ele concebia. Perdera-se sozinho, não tivera um guia; parecido com aquela pequena criança que se desvia, que se desenlaça das mãos de seus pais, quando de uma grande manifestação, uma grande festa onde há pessoas aos milhares – ela se distrai, se encanta com o facho de luz que corta os céus, e quando volta à terra, percebe que seus nobres não estão mais ao seu lado. E aí chora, grita, tem medo, procura; tem que lutar sozinha, pequena, verde que seja, mas tem que fazer isso. E leva sempre dentro de si que vai conseguir encontrá-los, por maior que seja o campo, pois sabe também que eles estarão à sua procura – o movimento é recíproco e sente que, novamente, vão atrair-se –, é a mesma busca, o mesmo fim, e o fato de encontrarem-se, é algo como que natural, inelutável, automático...
Sentia em seus dedos, a pulsação da vida, como a de um hábil pianista que, sensivelmente, sabiamente dedilha as teclas do seu instrumento. O sopro da vida impregnava-lhe as narinas, os pulmões, e aspirava profundamente, sentia que o ar o fortalecia, colocava-o em contato consigo mesmo; tudo isso acontecia em sua armadura que é seu corpo, seu luminoso corpo, que reverberava com o som, a luz, a cor do universo. Em síntese, a sua vida nada tinha de diferente da de seus irmãos, o caso é que a dele era a dele, guardadas as devidas proporções, expansões, pulsações pertinentes a cada um que pisa neste solo. Era igual a todos, mas diverso de todos – ele era ele, na sua pele, no seu coração, na sua mente, e estava entendendo melhor essa mecânica quando começou a dar forma a esse vácuo que lhe tomava conta, fosse ele etéreo, sem forma, indefinível como Deus –, exótico, místico, ascético se fazia e moldava o seu boneco do barro que fora feito. Ar, água, luz, terra, fogo, madeira, pedra... Era concreto, no que tange à existência, como qualquer um desses elementos, e voou, alçou outros planos, como um Condor, subiu, viu, sentiu, renasceu, como uma Fênix, transformou a sua vida em um cântico de louvação, como um Uirapuru, conseguiu, chegou, taí, tá cá, tá em tudo, em todos, tá em Deus, em Zeus, tá em seus caminhos, tá consigo... Ave!!!
quinta-feira, 14 de abril de 2011
O CAMPO DE TRIGO
Este santo foi de graça quando ouviu e atendeu meu apelo mariano (aquela, revestida de sol, de estrelas coroada); veio de perto, trouxe água, e quando a verteu na fonte seca, o pano que acobertava a cena, levantou-se, e foi possível ver o campo de trigo em sua terra; era dourado, laranja, mel e caramelo, assim como os tons de Van Gogh (o ensolarado).
E em seu fértil campo de trigo, cujas espigas se eriçavam com toda força, era possível fazer nele meu playground love, já que um air de música bachiana também lá vivia, tudo junto assim como uma doce profusão de pérolas.
Era também anjo que ia começar, num futuro próximo, a voar, planar, fazer tudo o que fosse possível no ar. E se é anjo, tem asa, faço para ele meu pedido: em meu terreno, sobrevoe e pouse (pause). E eu poderei, sempre, lhe dizer sempre: Anytime, anyway you’re my playground love.
Seguindo nesta erotrip, Barthes/64 diz que “[...] minha propensão (eu sujeito apaixonado) é alimentar o ser amado (você sujeito apaixonante), fartamente, com contida emoção, do meu amor, do teu, do nosso, já que a declaração não diz respeito à confissão do amor, mas à forma, infinitamente comentada, da relação amorosa. A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem em você. É como se eu tivesse palavras ao invés de dedos, ou dedos na ponta das palavras. Minha linguagem treme de desejo. A emoção de um duplo contato: de um lado, toda uma atividade do discurso vem, discretamente, indiretamente, colocar em evidência um significado único que é 'eu te desejo', e libertá-lo, alimentá-lo, ramificá-lo, fazê-lo explodir (a linguagem goza de se tocar a si mesma); por outro lado, te envolvo em minhas palavras, eu o acaricio, o roço, prolongo esse roçar, me esforço em fazer durar o comentário ao qual submeto a relação. Falo amorosamente, gastando interminavelmente, sem crise; pratico uma relação sem orgasmo: é o coïtus reservatus.”
E ter tocado em seu corpo (santo), em sua espádua, “torre de marfim, que fresca e rija carnadura ostenta” me fez fremir, descompassar, pois por você, talvez até posso fazer um escândalo, cometer um crime; por este desvelo, tenho mil amores de motivo para fazê-lo, à flor da pele, à flor do pêlo (você é meu zelo). Divago, deliro até assim, ó meu amigo, meu amado: o teu sexo cheira jasmim, teu corpo é alvo camélia, teu cheiro grudando em mim enleva-me assim, assim; sou Orfeu, sou Ofélia (sou erotômano).
E para ter você, meu senhor, cumpro a divina inácia: "Trabalha como se tudo dependesse de ti. Confia como se tudo dependesse de Deus”, posto que Eu: I have found what I’m looking for; Você: strawberry fields forever (perhaps?!); Nós: Jesus and Mary bless so much (in chain), pois assim se corporifica meu desejo por ti: quero ser parte do teu ser, o teu corpo, ser do teu sangue, tua pele e pêlos, dentes e saliva, calcificar-me em teus ossos para também sê-lo, selando-me à tua carne, me incorporando, sendo parte, estando dentro, tal qual Rute/1: “Aonde fores, eu irei; aonde habitares, eu habitarei. O teu povo é meu povo, e o teu Deus, meu Deus. Na terra em que morreres quero também eu morrer e aí ser sepultado. O Senhor trate-me com todo o rigor, se outra coisa, a não ser a morte, me separar de ti”.
Ou pode ser aquele local sagrado, um templo, para mim, para ti, para todos os filhos de meu Zeus; lugar onde ora, demora, contempla, deplora!
Existe aquele bar que não gosto, que você não gosta, mas desde há muito tempo é assim, é pessoal, é de gosto, já que de gustibus non disputandum est...
Alguns bares são como estações que se repetem e se repetem; são como a órbita de um lento planeta: Urano, Netuno ou Plutão (para se demorar mais ainda, pois o que vale é a contemplação, se ela existe e vale).
Outros são ligeiros, lunáticos, que depois de algum tempo não permanece nem a saudade de seu lumiar.
Existem ainda os freáticos, promissores, e mais próspero ainda o é se o que dali se leva chega até os lençóis.
Acontecem também os bares quase faunianos; há "bichos e bichas" que correm, por cima, por baixo, quase por todos os lados, às vezes dando impressão de vôo, de "pó de pirlimpimpim", de magia. Senhor! Tem hora que até assombra de tanto fluxo, de tanto luxo, odores, ardores; é assim!
Em alguns momentos cansa, e cansa mesmo, cansa mais quando a gente insiste, mas quando insiste mesmo, quando não toma outro rumo, quando só se cai ali, pois perde a graça, o viço, vence o vício da sempre ida.
Não se pode deixar de falar ainda do bar sazonal; aquele em que se vai nalguma ou em todas as estações da vida. São os raros, bem raros, lá onde você se sente um vilão. Aquele onde chorando ou sorrindo se leva sua vida, onde se vale, ou talvez até se perde o tino, quase desaparece num beco que nem escuro é mais, já que dá até para fazer um roteiro bar alfabético, abcdefg... jota, lá onde se pode perder sua costela de Adão, de Eva, talvez seu corpo todo, se der sorte; que sorte não?!
Há aquele onde se executa uma história, com fundo piano, bem romântico, mas esse parece até imaginário, só de inspiração, um delírio particular, netuniano. Quem sabe?!
Assim que se vai reconhecendo seu mundo, o bar, esse lugar que pode ser sagrado torna-se imprescindível, o espaço onde se situa, onde se encontra a sua como também a de outras pessoas, ou até, em alguns dias, momentos em que se vive, não se encontra ninguém, se sente minguado, o bar talha em lágrimas; e quando é desta forma, pode não ser um bom negócio estar presente, pois o prazer do bar é festa, alegria, música, paquera, aquela bebida que só ali fica melhor (eu acho!).
Mas já que bar é brincadeira, dá para se fazer muita coisa com ele, sugerir vários nomes, dissecar, desossar seus múltiplos significados, louvá-lo. Repare:
BAR & CO. (para se fazer negócio)
BAR... TOLO MEU (nele, pode-se sentir um bobo)
BAR... CAÇA (navegue, pois ele também satisfaz esse instinto)
BAR... DANA (por mais florido que seja)
BAR... FOND (bem embaixo, tipo escândalo mesmo)
BAR... BELA (que nem sempre é tão estético como se diz)
BAR... CELONA (sê seda, pois será mais elegante)
BAR... ATO (pra ser cênico, custa pouco)
BÁR... BARA (just for women)
Mas por que acabar com ele, já que se poderia dizer tanto e muito mais, e mais e mais, mas o que mais? E assim, o bar encerra seu expediente, cerram as portas, as pessoas vão embora, e ele fica lá sozinho, esperando outro dia, outra noite, outra ressurreição, já que é o Nosferatu de todos nós...
*Para o “fim” do Valentino, na Jorge Velho, Londrina-PR.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
TESTAMENTO DE VIDA E DE MORTE
(como se fosse possível...)
"Vem por aqui" – dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali..
Cântico negro – José Régio, Poemas de Deus e do Diabo, Lisboa, Portugália
... Nestes últimos tempos, percebia que só se vestia em negro, mas como se fosse possível, não gostaria que este seu auto fosse percebido, sentido, como mais uma gota do amargo da vida; como se fosse possível... Nada de tão duro como Lispector; não desejava assim; como se fosse possível...
Escrevia igual, como já escrevera antes, aquela que dizia ser sua obra mais prima possível; parecia-lhe o mesmo tom. O que havia de especial, de diverso? Nada, só o fato de provocar o seu exorcismo, como assim o fora dessa dita vez.
Realmente, estava gostando do trevoso. Era bonito o negro; sua pedra, sua roupa; faltava-lhe o perfume. Eh... será que, mesmo não gostando, também seria duro, amargo, triste, só provocando ais e uis a quem quer que lesse suas palavras?
O preto no branco, o branco no preto. A ausência no todo, o todo na ausência. Decifra ou este cromático enigma te devora, te come pelas beiradas, feito vingança de Scorpio.
Enquanto desfiava as linhas de seu testamento, se perguntava quem é que ia gostar do que ali estava encerrado. Claro que se perguntava, mesmo porque, ultimamente, lhe dominava a idéia de sair do anonimato; evidente, tinha o Meio do Céu em Taurus, e assim, queria brilhar fortemente, majestoso, ruminante e teimoso, brabo (às vezes) como este boiúno.
Voltando ao negro, não se via feio, mal no mesmo, uma vez que se sentia multicolorido em seu coração. O amor o fazia matizar tudo; era assim como lentes de arco-íris que via a vida. Por isso mesmo, não se doía quando dizia que queria abortar deus de sua vida. Onde estava aquele que não via nunca, só buscava, gritava, caçava, e o fulano, nem confiança dava; a mínima... Era isto mesmo que faria, se vingaria, tiraria deus lá de onde nem mesmo estava.
Desejava ter em mãos aquela obra, dita obra, em que se ensinava a deus a fazer as coisas. Era evidente que havia muitas coisas mal feitas, por fazer, incompletas, era evidente...
E enfim vira a obra, e não achara a suficiente agressiva, ainda faltava mais. Mais o quê? Mais arbítrio, mais mudança, transformação, pois no ponto onde tinha chegado, já era impossível voltar...
Percebia que os dias do povo daquela terra assim se passavam: no verão, com saudade do inverno, e no inverno, com saudade do verão, querendo chuva, quando de sol quente, e esse mesmo sol quando fazia chuva que empoçava quase tudo.
As idéias ficavam cada vez mais pesadas e enegrecidas.
Buscava ainda o dossel da paz, com flores par milliers. Com que força continuar, como puxar a carroça da vida, onde chegar? Talvez na terra que de tão prometida, nunca se chegava, tipo travessia do deserto, só sol e areia pela frente, escaldando esta dura existência. É... faltava emoção, surpresa, boa-nova, alegria. Onde estaria?
Mais uma vez se sentia assoberbado pela vida, e lhe parecia que de tempos em tempos era assim mesmo: cruel, banal, dolorida, levando por levar, os dias passando em brancas nuvens, e ele não querendo passar. Deveria existir uma saída, uma solução, assim como fórmula matemática, equação resolvida.
Aonde?!
Estava duro, sem luz, quase desesperado, pois (assim sentia) nem túnel existia. Seria possível encontrar uma mão por aí?
Desejava a realização de seus sonhos, mas apenas com sua força. Não queria depender de ninguém, porém não era assim que a vida estava se apresentando. Sentia que era humilhante por demais ter que precisar dos outros, algo que o menoscabava, e muito. Sem nenhum adendo egoísta, acreditava que o que quisesse fazer, seria possível fazer só por ele mesmo, era só descobrir a via, pois bem sabia que havia.
Cadenciava por suas palavras, já que isso fazia com que as idéias se tornassem mais leves, mais digestivas; como se fosse possível... E assim procurava ter concepções uranianas: vanguarda, irreverência, excentricidade, cosmos, espaço, sans arrêt, assim como as de seu vigoroso parceiro poético; como se fosse possível...
Um dos últimos sobressaltos que ele tivera: tinha feito uma dívida grande demais com a vida, que não se sentia em condições de pagá-la; era assim. Se não pagasse tal dívida, o que lhe aconteceria? Seria encarcerado, deveria abrir mais mão do que lhe era caro, ou deixaria que ela aumentasse, acumulando mais e mais seus juros, penhora? É... difícil questão para se responder.
Todavia, estava fazendo seus esforços no intuito de encontrar uma solução para este rasgo.
E para hoje como estará? Inquirir, tipo previsão, oráculo, sob o risco da fogueira; era sempre assim que fazia; sempre querendo saber o que, como aconteceria. Se não fosse possível, fazia sê-lo, desselando os fatos, acontecimentos, sua Caixa de Pandora, para que lá ainda pegasse a última esperança que restasse.
Em sua ciclotimia, seu coração e sua mente, semente pendular, germinava, e era assim que tudo em sua terra de leite e mel crescia; seu maná.
Gostava de brincar de Nospheratv, saído do passado, de negro, sobretudo; o sol... seus raios queimando como uma lente sobre o papel; o cheiro, o ar... rarefeito – raro efeito, fazendo seu efeito; baú aberto, espectro saindo, tomando forma, fazendo-se letra, nascendo, crescendo, vivendo, morrendo, renascendo...
Vampiro!
Dizia-se: – Virgo Santo, Dai-me a ousada proteção nas minhas idéias, no que faço, no que falus. Aí vai!
Certa feita lera e gostara muito, mas não se lembrava bem em que lugar; talvez fosse necessário procurar, e muito, despertando como um mágico, este infernal provérbio, talvez... : o homem foi feito à imagem e semelhança de deus, assim como o diabo foi feito à imagem e semelhança do homem.
E proverbiando neste Hades de deus, sabia que a estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria; que aquele cujo rosto não se ilumina, jamais há de ser uma estrela, bem como, sabia,também, que a eternidade anda apaixonada pelas produções do tempo; sabia...
Os sonhos, desejos que deixava, via acordar, existir, pois queria ouvir o que o silêncio que nele habitava tinha a dizer. Era esta a sua dura lenda do existir: sentindo-se encalhado no presente, sem saída no passado ou futuro. Seria anacrônico falar no presente e saber que o passado era a lembrança do futuro? Talvez... um reticente talvez, e talvez estava bem para explicar esta intrincada idéia do tempo que teve.
Em sua vida, o ritmo de mudança se fazia em anacruse, fraco no começo, mas antecedendo o passo forte que deve se iniciar, que fermentado crescia, progredia, evoluía, suleando as vias que percorria; era assim, do começo ao fim...
Passado algum tempo, depois de tantos brocais, tanta ornamentação, ele voltava, mais uma vez emergia – ele e seu monstro – do lago, que de fogo queria. Não se esquecendo de sua linear paramentação, hoje tirava de sua cartola algo de já muito sentido, vindo das terras que norteia as horas do mundo, assim era: o que se leva da vida, é a vida que se leva. E pensava que a vida era ávida de vida, devida, dividida, assim pensava...
Com ele, também pensava quando esta descrição, esta averbação, verborragia, que rugia de tanto verbo, terminaria, quando; já não era tempo, não era hora, por que demora? É... não sabia; teria ainda mais gás para este guisado literário, esta comida que sua fome saciava? É... não sabia, só sabia que o limite, o farol vermelho, l'arrêt poderia se aproximar a qualquer momento. Talvez era isso mesmo o que queria: interceptar, terminar, finir, para não ser pleonástico, mais além do que, talvez, já fora, e para não deslizar por aí, seria necessário as setas de Cronos, indicando que já chegara ao fim mais esta viagem. É... terminaria, e deixaria, reticente, enigmático como sempre quisera ser, a sua última dica: de repente, despertava na Terra, naquelas terras, com a sensação de que estava vivendo num tempo adiante, a sua grande felicidade, a realização de todos os seus idílicos sonhos, e nesta pausa de felicidade que se dava, via todo o cordão de sua luta, vivida no caldo, na cinza dos dias, pois era um momento de escolha, do tipo: ou você transa com a vida ou a morte te estupra. Viu no que Deus??!!
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “Vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
– Sei que não vou por aí!
Cântico negro – José Régio, Poemas de Deus e do Diabo, Lisboa, Portugália.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
DE PROFUNDIS...
(E esse nome está com Wilde, comigo, salmo, and so on...)
Hoje, je voudrais dire que...
Meu corpo é minha prisão, e talvez seja esta pena apenas para escrever, mesmo porque, pena não se paga. Apaga (mas... tudo??)!
Tudo não, talvez quase nada, pois hoje, pela rua, percebo que os olhos azuis são doces; bom tom com a cor rosa de sua pele que está dourando (“tô” adorando). Os verdes... ah! esses são o diabo, maravilhosos... Mas para mim, não há nada como os olhos azuis; são fantásticos! E sendo assim, penso eu até em ter olhos azuis. Ah! por essa cor, com certeza, os meus azuis serão de “plástico”, sintéticos, mas serão azuis. Eu os adoro!
E nesta tarde, de você, eu só fiquei com a silhueta pelo vidro, que nem espelho era (que pena!). Teu tom tonitruante me percebeu. Foi rápido, ligeiro, e foi trovão. Trovo eu para ti, te escrevendo.
[E] Pelas outras ruas, percebo homens e mulheres, grandes e pequenos, todos bonitos, mas bem bonitos mesmo (precisa ver)!
Precisa ver como eu vi, ou melhor, acabei de ver, os olhos azuis. Algo assim como anjos que descem à Terra para nos visitar (é bem assim que eu sinto). Mas... de toda forma já foi, partiu, talvez volte “um dia, quem sabe...”. (eu não sei, mas quero saber...)
Fico pensando também que a pessoa que não tem os dentes, está banida, aussi, de sua agressividade, impulso... Ela se recolhe, retrai, sobre e subtrai. Fica menos... e sem temenos falta algo que completa, que faz diferença. Ter os dentes é condição de felicidade!
E eu gosto do oriente, do que vem de lá, seus sutras, mantras, e tudo o mais me orientam... (Orientao). Gosto de Capra falando de lá para nós (de algures e alhures), de sua Imago Dei: “Aquele que, habitando em todas as coisas -É, no entanto, diverso de todas as coisas, -Aquele a quem todas as coisas não conhecem -Cujo corpo é feito de todas as coisas, -Que controla todas as coisas a partir de dentro -Aquele é a sua Alma, o Controlador interior, -O Imortal.”.
É texto ad hominem, e sendo assim, então, aquele sou Eu, Você, Nós e todas as outras pessoas deste verbo divino.
Algo que bem poderia ser um aforismo do I Ching, Tao-te King, ou parecido [ouça]: “-Esta flor não é a que lhe dei!. -Bem... nem eu, mas se esse é o caso, pode ficar com ela; pode mesmo; fica bem, fica bonita com você; juro! Com certeza é sua; leva!” – “Assim é a vida: cair sete vezes e se levantar oito!” (isso Barthes trouxe d’oriente).
Para Libra: EuqueLibro. É verdade; sou eu “que” livro a ânsia de Libra (a lança da víb’ra – c’est moi!). (talvez isso dê um livro; não sei; a ver...)
Et... por falar
É ótimo poder fazer coisas que nunca se fez na vida. Só para te lembrar: “Em minha vida, que eu possa fazer tudo o que posso fazer”! E já que é assim, modular o som é extasiante (e isso já posso fazer, já faço et já fiz – coisa de sarraceno, não??!).
E tem uma parte assim, que eu gosto, gosto muito; olha [ouça]:
“Quando a terra tremia, ou quando grassava a fome ou a peste, quando as chuvas diluvianas inundavam os vales, quando a seca destruía as colheitas, os homens obscurantistas experimentavam os únicos remédios possíveis: a encantação mágica, a oração a Deus.”; isso vem de Charroux, sua história anterior, remota, antiga (acredite..., pode acreditar, é verdade!).
Gosto de música, seus instrumentos, mas “sobremaneira” piano, do som de suas teclas, do eco que ressoa no coração (et ça, je sais beaucoup par coeur!). É maravilhoso, é bom demais poder ser música; e, cardealmente falando, que seja e venha ela dos quatro cantos do mundo; eu as aceito e quero!
Ser humano de novo, mas novo, novinho, ou melhor, novíssimo. Vontade minha e de muitos que estão por aqui, que sentem, mas ainda não estão sabendo que a indicação é ser humano: ação que indica ser o ser. Assim seja.
Ignotum per ignotius, obscurum per obscurius. E dessa forma começo a busca dentro de mim; assim me ficou mais claro, pois de Einstein quero saber que “A mais bela e mais profunda emoção que podemos experimentar é a sensação do místico”. Aos “terremotos”, êxtase e dedicação eu procuro, e agora sei e aceito que essa é minha forma de chegar ao “Inominável”; é admirável sabê-lo, e isso é: Áries
Não?! “Ah! meu amor, quantas pequenas traições, pobres mentiras diplomáticas de puras intenções”. Será que seríamos “condenados” por isso?
Não sei... Mas o que quero mesmo é serestar livre, o líbero, vivendo, aproveitando as oportunidades que também são de mim; isso quero, quero muito (bem grande).
Não sabe?! Não, não sei? Seria bom se eu/você soubesse, se qualquer de todos soubesse. Não sabe ainda? Não, ainda não! É... vamos fletir e refletir, pensar e vergar* (vergar: ver/enxergar – qual é a diferença?). E agora... continua ainda sem saber? Não, agora eu consegui vergar; vejo porque percebo pela visão, e enxergo porque entrevejo, meio confuso, ao longe, mas enxergo. Agora eu sei!
E o que você percebe (o que consegue vergar)? Eu? Bem, eu vergo aqui, a mim, a ti, o que se passa entre nós (nós...: posso desatá-los?). Claro que pode; ou melhor deve; eu estava esperando isso desde nosso começo. Você percebeu; percebe rápido, ligeiro como Mercúrio. Que bom, fico contente com isso, pois assim não me cansa, entedia, machuca e maltrata. Ah! não, isso não. Pode ter certeza, machucar eu não machuco não. Sou pela paz, pelo amor, pela cura, sou Mercura (aquele que rapidamente cura). Jura? Juro! Bem... então se é assim, me cura; é isso aí, é isso mesmo! Te curo, claro, sou também epicureu (hedonista??!!)... Daqui para frente, imagina só... Eu salmodio, e “que [seus] vossos ouvidos estejam atentos à voz de minha súplica”. Sans plus... au revoir!
*Curvar-se, dobrar-se, inclinar-se; por extensão, verga (chulo): o pênis.
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