Ou pode ser aquele local sagrado, um templo, para mim, para ti, para todos os filhos de meu Zeus; lugar onde ora, demora, contempla, deplora!
Existe aquele bar que não gosto, que você não gosta, mas desde há muito tempo é assim, é pessoal, é de gosto, já que de gustibus non disputandum est...
Alguns bares são como estações que se repetem e se repetem; são como a órbita de um lento planeta: Urano, Netuno ou Plutão (para se demorar mais ainda, pois o que vale é a contemplação, se ela existe e vale).
Outros são ligeiros, lunáticos, que depois de algum tempo não permanece nem a saudade de seu lumiar.
Existem ainda os freáticos, promissores, e mais próspero ainda o é se o que dali se leva chega até os lençóis.
Acontecem também os bares quase faunianos; há "bichos e bichas" que correm, por cima, por baixo, quase por todos os lados, às vezes dando impressão de vôo, de "pó de pirlimpimpim", de magia. Senhor! Tem hora que até assombra de tanto fluxo, de tanto luxo, odores, ardores; é assim!
Em alguns momentos cansa, e cansa mesmo, cansa mais quando a gente insiste, mas quando insiste mesmo, quando não toma outro rumo, quando só se cai ali, pois perde a graça, o viço, vence o vício da sempre ida.
Não se pode deixar de falar ainda do bar sazonal; aquele em que se vai nalguma ou em todas as estações da vida. São os raros, bem raros, lá onde você se sente um vilão. Aquele onde chorando ou sorrindo se leva sua vida, onde se vale, ou talvez até se perde o tino, quase desaparece num beco que nem escuro é mais, já que dá até para fazer um roteiro bar alfabético, abcdefg... jota, lá onde se pode perder sua costela de Adão, de Eva, talvez seu corpo todo, se der sorte; que sorte não?!
Há aquele onde se executa uma história, com fundo piano, bem romântico, mas esse parece até imaginário, só de inspiração, um delírio particular, netuniano. Quem sabe?!
Assim que se vai reconhecendo seu mundo, o bar, esse lugar que pode ser sagrado torna-se imprescindível, o espaço onde se situa, onde se encontra a sua como também a de outras pessoas, ou até, em alguns dias, momentos em que se vive, não se encontra ninguém, se sente minguado, o bar talha em lágrimas; e quando é desta forma, pode não ser um bom negócio estar presente, pois o prazer do bar é festa, alegria, música, paquera, aquela bebida que só ali fica melhor (eu acho!).
Mas já que bar é brincadeira, dá para se fazer muita coisa com ele, sugerir vários nomes, dissecar, desossar seus múltiplos significados, louvá-lo. Repare:
BAR & CO. (para se fazer negócio)
BAR... TOLO MEU (nele, pode-se sentir um bobo)
BAR... CAÇA (navegue, pois ele também satisfaz esse instinto)
BAR... DANA (por mais florido que seja)
BAR... FOND (bem embaixo, tipo escândalo mesmo)
BAR... BELA (que nem sempre é tão estético como se diz)
BAR... CELONA (sê seda, pois será mais elegante)
BAR... ATO (pra ser cênico, custa pouco)
BÁR... BARA (just for women)
Mas por que acabar com ele, já que se poderia dizer tanto e muito mais, e mais e mais, mas o que mais? E assim, o bar encerra seu expediente, cerram as portas, as pessoas vão embora, e ele fica lá sozinho, esperando outro dia, outra noite, outra ressurreição, já que é o Nosferatu de todos nós...
*Para o “fim” do Valentino, na Jorge Velho, Londrina-PR.


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