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sexta-feira, 22 de abril de 2011


O ERRO DE DEUS: CONFISSÃO DE UM VINGADOR


E no princípio Deus criou o céu
E no princípio Deus criou a Terra
A Terra, porém, tava um caos
E as trevas dominavam tudo
Daí o dedo de Deus fez a luz
Daí o dedo de Deus fez o homem
Daí o dedo Deus fez aquela que seduz
E o mundo cresceu?
- O mundo cresceu. Tudo mudou. Alguém perguntou:
- Será que Deus mudou? Ou será que mudamos de Deus? [...]
(O Dedo de Deus: Arrigo Barnabé, Mário Manga)


Nesta vida, eu pouco ascendi e logo a paguei... E aí eu me pergunto: - O que/m sou eu, como ser num mundo como este, já que Virgo? (e se eu não puder sê-lo, quem sê-lo-á...?)


[Ó incriado e ser supremo, eu me sinto como que no meio de meu pesadelo encarnado. Nele, parece que perdi todo encanto, toda vez, toda voz (I talked so brave and so sweet...) É... você, ó incriado, joga pesado, e até demais, com os teus que são criados, elevados e feitos por ti. (Mas qual o quê, se é desta forma, é confesso até mesmo o erro de Deus.]


Como é que se vive assim: - Que tudo mude para bem, da mesma forma quando muda para mal.


Bem... Isso só é possível estudando pela letra. É grafologia? Juro; não sei! Mas agora, se você quiser mudar o contexto (e o mesmo texto), é assim: 


Meu paraíso de imaginação é concreto em algum ponto; minha busca se faz por ele (lembranças), e olhando para o passado de minha vida (o sonho em matéria), me parece que estou ainda neste escuro de mim, sem meio oracular, sem a esfinge que me decifra e devora, pois suas letras eu as escrevo (dando a chave de seu segredo), e o passado me leva menos quando eu olho para ele (em letra) e o desarmo. Isso sem querer, mas sem querer mesmo, é natural...


Bem, estávamos falando de desarmar em letra o passado. É assim: eu olho para que a letra endireite, e assim eu fico mais consciente e finco os pés presentes na terra, e a música embala meu ser, e acho que é impossível estar sem as esferas da música; e eu sinto, sei que ela é a única via que transcende o tempo: seja ela boa, bela, é para todo o sempre!


Mas do que é capaz minha fé? É sério... Eu gostaria de saber o que esta crença me assevera, pois o fenômeno da coisa julgada facit de albo nigrum et de quadrato rotundum. E assim, sinto que fica nebuloso, difícil de saber qual é o poder dessa fé (pelo menos por enquanto).


E toca-se na fé porque era homem tão dileto, que achava que o mal só era outra face de Deus, tanto quanto o bem, já que, cá para nós, neste mundo, o dito mal é a parte feia, feia mesmo, horrível: a ira e o desejo são as duas partes de um mesmo mistério – é a mesma moeda).


Mas o fato, o fato mesmo é que a gente concebe Deus numa pulsação e moldes muito humanos. É deste jeito: Deus (que fez criaturas humanas à sua imagem e semelhança) nada mais do que é um homem perfeito e com poderes; homem em sua última oitava, superevoluído, mas só que é homem, ainda é homem, apesar de perfeito, pois tem ciúme, vinga, repreende, castiga, desaparece and so on... (Por ele, nosso sentimento é tanto amoroso quanto odioso!). Assim, nossa relação com Deus é como a de crianças com seus pais: briga, chora, berra, ora e ama! De tão inefável, Deus, em tal e tais significados faz com que a gente (sentindo e pensando) não saiba o que ele é. Isso é lei, imposta e dita por ele.


Então, onde está Deus, já que indomável, porque inominável, inodoro, invisível, informe, inaudível, indizível.


Tal vez no areópago, já que é Deus areopagita; ou, certamente, dentro de cada um, pois é a alteridade, o outro, que sendo nós mesmos se transforma, ele, em Deus. É o nosso superego; o eu de cada um se defrontando consigo mesmo! (“Partilhar suas próprias idéias pode conduzir à iluminação, já que através da troca, poderão lhe chegar as respostas necessárias”.)


Sendo assim, tudo faz crer que o homem é mais forte do que Deus e o Diabo (juntos), porque ele é o laboratório onde se processa todas as experiências (positivas e/ou negativas); ele é o campo de pouso, de testes de todas as idéias da vida, do mundo. Ele é o receptáculo da vida:
o corpo é terra
a mente é ar
a alma é água
o espírito é fogo.


E de mim, digo que o platonismo, o delírio imaginário já não me satisfaz mais; o que preciso agora é “algoém” encarnado, manifesto, criado ser! [Ó Deus, dai-me ser grande, como vós sois grande; dai-me ser perfeito como vós sois perfeito; dai-me ser Deus como vós sois Deus! – ( E isso tem vez por causa da quadratura Sol/Júpiter: ça veut dire: quem já foi rei, não perde a majestade!)].


Inquiro-te outra vez mais ó Deus: - Que diabo de pacto eu fiz em minha vida? À que vim?


Aqui vim para soçobrar, só sobrar, como que à beira de um abismo, onde saltar dentro é a única solução?!


Não... Pois minha vida é o único e máximo que tenho de mim!


Bem... Isso é outra coisa que ainda não descobri (de onde veio meu ser, para onde ele vai); só sei que quando tiro o relógio, me liberto do tempo, destemperado fico mesmo, e o caminho para se descobrir o inominável, invisível é inspirar-se na doutrina de Inácio: “Trabalha com se tudo dependesse de ti. Confia como se tudo dependesse de Deus”. Assim, deixo o amanhã para amanhã, pois eu mesmo sou minha máquina automática.


Trata-se de pessoa que gosta de ver as coisas se consumindo, ou seja, dando o seu todo, sua contribuição, sua energia, se consumindo naquilo que lhe é mais devido, mais próprio, mais caro. (Volto para o meio de mim para que eu possa fazer tudo o que posso fazer!)


E isso é letra escrita currente calamo, e já faz tanto tempo e está tão perto, que moi, je continue encore à couler beaucoup d’encre sur ce papier.

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